Caymmi, Inventor da Bahia

Texto de apresentação da exposição em cartaz no Museu da Música Brasileira desde 2009.

Dorival Caymmi é um dos principais pilares da música brasileira, e sua carreira dá-se ao longo da história do que ficou comumente conhecido como MPB.

A música brasileira de uma maneira geral tem sido uma das contribuições mais relevantes do Brasil à cultura ocidental, e Dorival é um artista que começa a criar suas obras preciosas bem antes da metade do século passado, em um tempo do qual o nosso olhar atual tem apenas uma imagem difusa. Desde este tempo em que os meios de comunicação estavam apenas organizando os canais, atravessando todo o processo de multiplicação de mídia e pulverização da informação (o encaminhamento aos ditos quinze minutos, conforme Andy Warhol) num cenário de enorme profusão de artistas e obras e meios, Dorival Caymmi é como que um fio condutor que atravessa toda a evolução deste fenômeno que chamamos de música popular brasileira, e um dos seus mais importantes criadores. É um patrimônio do Brasil, um orgulho da Bahia, um patriarca da música popular brasileira.

Esta exposição é uma homenagem e um agradecimento, e conseqüência de duas outras que fizemos sobre o mesmo tema, que nos motivaram a ampliar cada vez mais a nossa coleção de publicações originais em primeira edição dessas canções que fazem parte do nosso imaginário coletivo, fotos, autógrafos e obras raras e exclusivas deste ilustre baiano, a quem tivemos a alegria de encaminhar informações sobre as duas versões anteriores, enquanto ainda estava aqui entre nós, para que mais uma vez fosse lembrado o quanto o seu canto ainda ecoa forte na sua Bahia, tantas gerações depois.

Dorival Caymmi é uma pedra fundamental da cultura nacional, e um patrimônio para nós baianos, graças à sua genialidade que colheu com seu olhar de artista a imensa figura do homem comum e o apresentou com luzes singulares transformando tipos populares em mitos que viessem a viabilizar a possibilidade "da grandeza épica de um povo em formação".

Se o mundo, a vida, a existência é só um conjunto de impressões, das quais a arte é apenas um catalisador para o deleite e as identidades são somente nossos papéis neste pano de fundo, nós, brasileiros, particularmente baianos e afins, devemos imenso a este extraordinário criador que forjou tantas identidades, que criou tantos mitos, que tomou cores e pintou com leveza - e ao mesmo tempo, profundidade - os intensos cenários para as figuras que somos nós mesmos, tendo ao fundo as belíssimas cores do céu e do mar da Bahia.

Nessa ocasião queremos mais uma vez dizer “obrigado, Dorival Caymmi”. Eu, você, João Valentão, Rosa Morena, Doralice, Adalgisa, Marina, Juliana que ele foi ver, Menininha do Gantois, João, Caetano, Gil, todo o povo da Bahia, Dora, o povo de Recife e o povo do Brasil. Obrigado Dorival, que inventando todo esse cenário também me inventou. É um orgulho e uma felicidade partilhar dessas identidades. Viva a Bahia que Dorival inventou.

Paulo Brandão

Salvador, Bahia, 17 de março de 2009

DORIVAL CAYMMI

Na cidade de Salvador, em 30 de abril de 1914, ou seja, há mais de um século, não muito longe do Pelourinho - mais precisamente na rua do Bângala, 77, no Tororó - nasceu Dorival Caymmi, um típico baiano, miscigenado de africanos, italianos e portugueses, e nessa mesma região onde nasceu passou sua infância, ouvindo os cânticos das ruas, numa cidade que tinha uma tradição oral forte, principalmente de origem africana, onde os vendedores ambulantes mercavam cantando. Tudo isso lhe serviu de base para uma boa parte da sua música, que frequentemente vem fazer referência desses cantares ("Ô acarajé ecó olalai ó, vem benzê-ê-em, tá quentinho").

Para dentro, o subir e descer de ladeiras, as pretas mercantes, seus pregões, quase um lamento.  Logo adiante, o mar e todo o seu leque de atividades. Rainha do Atlântico Sul. A bela cidade da Bahia e sua gente marcaram o imaginário do menino. Em 1925, Caymmi tem 11 anos de idade e sua família passa a morar na ladeira do Carmo, 37, já no Pelourinho, num sobrado desses que iriam mais tarde ilustrar suas canções. É ali que conhece o amigo fiel Zezinho, em cuja companhia faz as primeiras incursões musicais. Seu pai tinha um violão, no qual Dorival tocava, e um bandolim, que era usado por Zezinho.

Interessava-se por cinema e pelos atores, e música erudita européia de Bach e Debussy. Por jazz e blues, Louis Armstrong e big bands norte-americanas, Benny Goodman, Count Basie. É nessa época que constrói a a base de uma carreira musical de influências mestiças africanas presentes nas ruas da cidade com pitadas de jazz. 

 

Em 1930 vai trabalhar no jornal "O imparcial".

Na Avenida Sete tem o primeiro contato com o rádio, através da Rádio Clube da Bahia.

As Casas Guarani e Milano são as lojas de discos de Salvador desta época, e eram pontos de visitação do jovem Dorival.

Em 1932 Caymmi tem a oportunidade de ver no Cine Jandaia, na Baixa dos Sapateiros,  a estrela Carmen Miranda, que após sua estréia um tanto quanto prejudicada pela voz pequena sem o uso de microfone, recorre à ajuda de Almirante, que veio do Rio de Janeiro cantar e tocar com ela - e mais tarde tornar-se ia, junto com Carmen, figura importante na vida de Caymmi.

Nessa época costuma ir com os amigos, de bonde, até Amaralina, e dali, numa aventura, até a praia de Itapuã. Deste universo viria uma boa parte dos personagens da sua obra. Foi em 1937, na praia de Itapuã, que ele concebeu a canção que lhe é mais querida: "O mar".

Foi nesse ambiente, no cenário da Bahia de início de século XX, com o violão do seu pai, aprendendo por iniciativa própria, que ele tomou caminho até doces subversões musicais que tornaram sua música ainda mais única e precursora de um movimento mais amplo, sendo uma das influências da bossa nova.

 

Também na Bahia começou seu amor pelas artes plásticas, desenhando e pintando, o que provavelmente veio a contribuir para tornar suas canções ainda mais perfeitas do ponto de vista plástico, não apenas como melodias, não apenas como poesia, mas obras-primas completas da música popular brasileira.

No ano de 1936 ganha o concurso de marchinhas com "A Bahia também dá".

No ano seguinte tenta trabalhar como vendedor de bebidas, sem sucesso, e até como  pintor de tabuletas, enquanto espera a nomeação para cargo obtido em concurso público, no qual havia sido aprovado dois anos antes. Decepcionado com essa longa espera, resolve tentar a vida no Rio de Janeiro, então capital federal.

Migra para o Rio de Janeiro no ano de 1938, e ainda neste ano entra no circuito do rádio, e então, após gravar algumas canções em estúdio, estimulado por Braguinha, grava "O que é que a baiana tem". Esta gravação faz com que Almirante o leve para conhecer Carmen Miranda, que fica ainda mais entusiasmada quando ouve a canção ao vivo, e o próprio Caymmi mostra à cantora como ela poderia interpretá-la, coreografando o famoso número de Carmen. 

A intenção era usar a canção no musical “Banana da Terra”, que inicialmente teria composições de Ary Barroso. Como na última hora este pediu o dobro do valor previsto, a produção foi em busca de uma música substituta, e assim Dorival Caymmi ganha uma grande projeção nacional. O filme é um grande sucesso no início de 1939, e Carmen desabrocha em um personagem de baiana estilizada que jamais será dissociado dela, mesmo quando vem a se tornar, em Hollywood, “the lady in the tutti-frutti hat”. E é notável a participação de Caymmi nessa caracterização da baiana, pois ele a ajudara até mesmo em ir com ela nas ruas do Centro do Rio comprar apetrechos para a indumentária. Carmen já havia feito um número como baiana antes, mas não com este impacto.

Almirante ainda foi o responsável por levar Caymmi, ainda antes do fim do ano em que chegou ao Rio, para a Rádio Nacional. 

Na sequência do sucesso, com apenas 24 anos de idade, em 29 de fevereiro de 39, Caymmi grava com Carmen Miranda “O que é que a Baiana tem”, pela Odeon, num disco de 78 rotações, o de código de catálogo 11710.

Esta canção foi a alavanca do sucesso do musical que Carmen levou ao Cassino da Urca naquela ocasião, que atraiu a atenção de um produtor musical da Broadway, que viu em Carmen, na canção e na vestimenta uma possibilidade de sucesso nos Estados Unidos, convencendo-a a ir morar lá. Naquele mesmo verão, até a cantora Josephine Baker, se apresentando também no Cassino da Urca, canta “O que é que a baiana tem?”. E essa também seria gravada nos Estados Unidos por Carmen, no seu primeiro disco americano, pela Decca, e logo depois do grande sucesso lá, pelo The Mills Brothers. Primeira gravação de Caymmi por estrangeiros.

Antes de partir para o exterior, Carmen ainda gravaria com Caymmi, na véspera deste completar 25 anos, o samba “Roda Pião”, do baiano,  para o seu disco da Odeon de número 11751. O disco veio a ser lançado em agosto. 

Naquele ano ainda, Caymmi tem as portas da alta sociedade carioca abertas para ele, participando do musical beneficente “Joujoux e Balangandãs”, organizado pela esposa do presidente Getúlio Vargas. Ali, Caymmi canta “O Mar”, além do samba que pusera os balangandãs em moda. 

Em setembro, lança o seu primeiro disco solo, Odeon 11760, com “Rainha do Mar” e “Promessa de Pescador”, e no ano seguinte, livre de contratos, grava alguns discos com a Columbia. É interessante observar que, devido ao formato da mídia, que comportava pouco tempo de música, os discos trazendo apenas duas canções em geral, temos uma dinâmica de lançamentos diferente dos tempos atuais. 

Viaja pelo Nordeste em 1941, e no retorno, passando por Pernambuco, compõe “Dora”. Que já tem uma linguagem nova, pois os tempos já são outros, e as canções praieiras já são um estilo consolidado. Outra fase se abre, das canções urbanas, ainda que Dora tenha um ar tradicional por trás, pela descrição de belezas pitorescas do Recife. 

E retorna então à Bahia, já uma celebridade. 

A moda da baiana ainda se estende. Quando o Tio Sam estava querendo conhecer a nossa batucada por razões da política de boa vizinhança do início dos anos 40, Walt Disney veio em 1942 para a estréia do seu filme "Fantasia" no Rio de Janeiro, e tomou conhecimento do sucesso de "Você já foi à Bahia", de Caymmi, gravada pelos Anjos do Inferno no ano anterior. Pronto! Foi o mote para a parte em que Zé Carioca pergunta ao Pato Donald: "Você já foi à Bahia, Donald?", vêm ao Brasil no lindo desenho de Disney, num número musical mesclado de animação, com Aurora Miranda e a canção de Caymmi. O filme, de 1944, chama-se “The Three Caballeros”, no original.

Também neste ano Caymmi começa temporada no Cassino do Copacabana Palace, da família Guinle, e torna-se amigo de Carlinhos Guinle, bon vivant, com quem viria a assinar algumas cançoes. Já plenamente ambientado no Rio de Janeiro no clima do pós-guerra, entra como um mestre no gênero samba-canção, compondo pérolas que são precursoras definitivas da bossa nova como "Só louco" e "Marina".

Em 1947, estimulado pelo amigo Jorge Amado, que também escreveu o prefácio e os comentários sobre as canções, tem o “Cancioneiro da Bahia” lançado. Precursor dos modernos songbooks, o livro tem uma edição de beleza poética, separando as canções de Caymmi por temas. Uma coleção de mestre. 

Em 1954 grava o seu primeiro long-play, o disco “Canções Praieiras”, com as inéditas “O Bem do Mar” e “Quem vem pra Beira do Mar”, mas os discos de 78 RPM ainda seriam gravados por alguns anos, e ele ainda lança um neste mesmo ano. 

É de 1956 o seu grande sucesso, “Maracangalha”, baseado numa história de Zezinho, seu amigo de infância, que ainda amigo em adulto, forjava telegramas para ele mesmo, inventando compromisso de negócio na cidade de Maracangalha, perto de Salvador, para escapulir da esposa e partir para os braços da amante. Contou para o amigo antigo, virou samba e sucesso, ganhando versões em vários idiomas. 

No ano de 1957 ele gravou pela primeira vez a belíssima “Saudade da Bahia”, que como muitas outras composições do artista, levaram anos no processo de criação, para que saissem as jóias que são. Um hino melancólico, que tem alimentado por anos o amor nativo e promovido o orgulho da Boa Terra. 

Chega a Bossa Nova, e em seu momento inaugural, o disco “Chega de Saudade”, do conterrâneo João Gilberto, Caymmi não só está presente, como é citado na contracapa, em texto de Tom Jobim, como referência definitiva de carta de apresentação. E a influência é tanta, que Dorival está presente não so no primeiro, mas em todos os três primeiros discos de João (e mais além, como no mega-sucesso mundial Getz/Gilberto, o disco seguinte de João, com o saxofonista Stan Getz, com o qual João Gilberto ganhou dois Grammy, como cantor e violonista). 

Caymmi sempre teve uma linguagem universal, o que o levou a ter sucesso internacional: Edith Piaf, nos anos 50, tinha um apartamento em Copacabana, no qual passa boa parte do tempo ouvindo as canções de la voix du pêcheur (a voz do pescador), como se refere a Caymmi. Em 1965 foi gravado pelo crooner Andy Williams nos Estados Unidos, a canção foi o samba-valsa “... das Rosas”, que foi traduzido pra o inglês por Ray Gilbert (que também colocou a letra em “Garota de Ipanema”, “The Girl from Ipanema”), e tornou-se um sucesso tão grande, que Caymmi foi convidado a ir para lá e se apresentar no programa de TV pilotado por Andy Williams na NBC. Sarah Vaughan também gravou , e muitos outros artistas de vários lugares do mundo. Talvez o mais curioso seja o disco “O Mar”, onde a obra de Caymmi é cantada em hebraico, um belo disco lançado em Israel, em 1974.

Na ocasião em que foi aos Estados Unidos, teve um disco seu produzido e lançado por lá, o “Caymmi and the girls from Bahia”, com o grupo de garotas que era o Quarteto em Cy. Este disco foi relançado no Brasil em 1967. Ano em que também foi a atração principal em Salvador, na inauguração do Teatro Castro Alves.

As influências se estendem já para outra geração. Gilberto Gil vai beber inspiração na obra do mestre quando compõe “Domingo no Parque”, que inscreve no III Festival Internacional da Canção. E outros mestres vêm, à sombra de Caymmi, já um patriarca. A Tropicália o abraça, direta ou indiretamente. 

Em 1968, recebe de presente do governo da Bahia uma casa, na Pedra da Sereia, no Rio Vermelho. Volta a morar na Bahia por uns poucos anos, o que o influencia bastante no conteúdo do disco de 1972, “Caymmi”, após sua ligação mais estreita com o candomblé. O disco, aliás, traz a “Oração de Mãe Menininha”, uma homenagem à sua ialorixá. 

Também é chamado para compor a trilha para o filme americano “Wild Pack”, que nada mais é do que “Capitães de Areia”, de Jorge Amado. Participa inclusive como ator. O filme foi lançado em 1972.

Aí ja temos um outro cenário para a música do Brasil, e Dorival Caymmi sempre pairando como uma influência, um norte. Gal Costa grava em 1976 um lendário tributo, em “Gal Canta Caymmi”.

Ele também participou da notável semana da Bahia em Roma, em 1983, o festival Bahia de Todos os Santos, no Circo Massimo e na Piazza Navona, junto a um Panteão de monstros sagrados da Bahia, e que possivelmente foi um dos principais responsáveis pela enorme fama que a música brasileira tem na Itália hoje, à frente da maioria dos países da Europa.

O artista atravessou o século passado, o século da canção brasileira, compondo peças das mais importantes desse cenário, e com uma obra enxuta, exata, sem erros. Cada canção é absolutamente perfeita. Um criador genial e um dos maiores responsáveis pelo desenho tão intenso da nossa identidade, pela revelação demais profunda dos nossos mitos.

 

Dorival Caymmi é um orgulho nacional. Principalmente para o povo da Bahia. Um dos grandes colaboradores no entendimento do que somos como povo, e com a visão bonita, pois como diz o mestre, "Não há sonho mais lindo do que sua terra, não há".

A Música Brasileira pós-Caymmi

Dorival Caymmi é como uma bossa nova em uma pessoa só. De fato todas as subversões da bossa nova já estavam anunciadas em Dorival. De acordo com Caetano Veloso, "o grande esforço de modernização de João se apoiou na modernização sem esforço de Caymmi". Caymmi é, em definitivo, o ombro de gigante sobre o qual toda uma nova geração se colocou, para a partir da sua primeira reinvenção, reinventar a música brasileira num programa mais amplo. E certamente, do mesmo modo que uma direção que Caymmi apontou evoluiu e desembocou na bossa nova, há em sua obra outras direções que nem foram exploradas.

Mas, definitivamente, apontara o caminho da bossa nova, e naturalmente aparece nos três primeiros discos de João Gilberto: “Chega de Saudade”, de 1959, “O amor, o sorriso e a flor”, de 1960, e “João Gilberto”, de 1961, bem como no disco “Getz/Gilberto”, de 1964, que faz de vez o elo entre a bossa nova e o jazz, conta com participação de Tom Jobim ao piano, e com a cantora Astrud Gilberto. Ali, neste álbum que vende mais de um milhão de cópias e ganhou vários prêmios Grammy, Dorival também está presente.

Um dado relevante em relação aos artistas e a obra de Caymmi é que a obra Caymmiana é apresentada já de modo absolutamente resolvido, deixando pouco espaço para outros artistas se aproximarem dela sem correr riscos, sem partirem do pressuposto de que estão fazendo algo menor e/ou datado (comparado ao moderno de, digamos, mesmo 1939!). Por exemplo, Gilberto Gil grava Caymmi no seu Realce, em tom pós-desbunde, o que viabiliza uma leitura contemporânea que funciona bem, ou Caetano Veloso, que o grava em “Cores, Nomes” (“Saudade de Itapoã”), numa abordagem que funciona extraordinariamente, revelando a natureza do gênio do compositor e do intérprete convivendo lado a lado, dada a despretensão e o andamento quase lânguido. Ambos, contudo, incluem o mestre nas suas obras, como Gil na homenagem “Buda Nagô”, em “Parabolicamará” com participação de Nana Caymmi,  e Caetano, que o toma como adjetivo pleno e adequado que quer dizer “tudo de bom” em “Itapuã”, no disco “Circuladô”, ou mesmo na adequadíssima citação de “Você já foi à Bahia” de “Terra”, no disco “Muito”.

Mais à vontade para tocar a obra do grande mestre sem muito temor estiveram outros bons frutos de Dorival. Seus filhos Nana, Danilo e Dori, cada um, um grande nome da musica brasileira com carreiras cheias de méritos pessoais. A convivência com o patriarca da canção ou talvez a genética do patriarca da canção, ou tudo isso. Como conseqüência, ótimos resultados. 

Três álbuns dedicados a Caymmi por cantoras se destacam. Gal canta Caymmi, de 1976, por Gal Costa, o disco de Jussara Silveira, “Canções de Caymmi”, de 1998, e o de Rosa Passos, “Rosa Passos Canta Caymmi”, de 2000. Visitas bem conduzidas à obra do gênio. Ou uma visita coletiva, na serie de cds coordenada por Almir Chediak, de Songbooks, onde os de Caymmi,  entre leituras de gostos bastante variados, trazem destaques como a voz de Carlos Fernando, do Nouvelle Cuisine,  ou a belíssima versão de Tim Maia para “Não Tem Solução”. Muitos outros tributos foram feitos ao gênio, e muitos ainda serão feitos. Em uma das suas últimas gravações, Caymmi participa também deodisco da cantora Adriana Calcanhoto (“Maritmo”, de 1998), onde divide os vocais em “Quem vem pra a beira do mar”.

Discografia:

Esta discografia contém a maior parte as gravações identificadas de Dorival Caymmi, incluindo todos seus discos, exceto as repetições em formato compacto (7"). A única neste formato que é citada é o "Dorival é Nacional", por se tratar de um fonograma que aparece apenas neste disco. Também estão incluídos discos de outros artistas nos quais Dorival faz participação (embora para estes esta lista seja intencionalmente incompleta, pois não inclui, por exemplo, o disco Estrela da Vida Inteira, de Olivia Hime).

78 RPM

Apr-39

CARMEN MIRANDA DORIVAL CAYMMI O QUE E QUE A BAIANA TEM?/A PRETA DO ACARAJÉ ODEON 11710

PARTICIPACAO ESPECIAL

78 RPM

Aug-39

CARMEN MIRANDA - RODA PIAO ODEON 11751 part DORIVAL CAYMMI

PARTICIPACAO ESPECIAL

78 RPM

Sep-39

DORIVAL CAYMMI - Rainha do mar / Promessa de pescador Odeon 11760

78 RPM

Oct-40

DORIVAL CAYMMI - Navio Negreiro / Noite de temporal Odeon 11850

78 RPM

Oct-40

DORIVAL CAYMMI - O mar / O mar (parte 2) Columbia 55247

78 RPM

Oct-41

DORIVAL CAYMMI - ESSA NEGA FULO / BALAIO GRANDE Columbia 55292

78 RPM

Oct-41

DORIVAL CAYMMI - A jangada voltou só / É doce morrer no mar Columbia 55304

78 RPM

Dec-43

DORIVAL CAYMMI - ESSA NEGA FULO/BALAIO GRANDE - Continental 15.021

78 RPM

Dec-43

DORIVAL CAYMMI - Continental - 15025 - É doce morrer no mar... / A jangada voltou só

78 RPM

Dec-43

DORIVAL CAYMMI - Continental - 15094 - O mar (parte 1) / O mar (parte 2)

78 RPM

Aug-45

DORIVAL CAYMMI - Dora / Peguei um Ita no Norte Odeon 12606

78 RPM

Mar-46

DORIVAL CAYMMI - A VIZINHA DO LADO/365 IGREJAS Odeon 12.685

78 RPM

Oct-47

DORIVAL CAYMMI - Lá vem a Baiana / Marina RCA Victor 800586

78 RPM

Apr-48

DORIVAL CAYMMI - A LENDA DO ABAETE /SAUDADE DE ITAPUA RCA Victor 80.0576

78 RPM

May-48

DORIVAL CAYMMI - Cantiga / Sodade Matadeira RCA Victor 800585

78 RPM

Jul-49

DORIVAL CAYMMI - Festa de Rua / O Vento RCA Victor 800596

78 RPM

Jul-52

DORIVAL CAYMMI - Nem eu / Não tem solução Odeon 13288

78 RPM

Aug-53

DORIVAL CAYMMI - Tão só / João Valentão Odeon 13478

78 RPM

Sep-54

DORIVAL CAYMMI - QUEM VEM PRA BEIRA DO MAR / PESCARIA - Odeon 13.707

LONGPLAY

Oct-54

DORIVAL CAYMMI - CANCOES PRAIEIRAS

78 RPM

Nov-54

DORIVAL CAYMMI e Seu Violão A JANGADA VOLTOU SO/E DOCE MORRER NO MAR Odeon 13.732

LONGPLAY

Oct-55

DORIVAL CAYMMI - SAMBAS

78 RPM

Jan-56

DORIVAL CAYMMI - SABADO EM COPACABANA/SO LOUCO - Odeon 13.964

78 RPM

Mar-56

DORIVAL CAYMMI - SAUDADES DE ITAPUA/A LENDA DO ABAETE  - Odeon 13.987

78 RPM

Aug-56

DORIVAL CAYMMI - Fiz uma viagem / Maracangalha Odeon 14075

78 RPM

May-57

DORIVAL CAYMMI - Roda pião / Saudade da Bahia Odeon 14198

78 RPM

Jun-57

DORIVAL CAYMMI - História para Sinhozinho / Acalanto Odeon 14207

LONGPLAY

Oct-57

DORIVAL CAYMMI - EU VOU PRA MARACANGALHA

78 RPM

Dec-57

DORIVAL CAYMMI - Saudades de Itapoã / Dois de fevereiro Odeon 14286

LONGPLAY

Oct-58

DORIVAL CAYMMI - CANTO DE AMOR À BAHIA E QUATRO ACALANTOS PARA GABRIELA

12"

Oct-58

DORIVAL CAYMMI - CAYMMI E O MAR - MOFB 3011

12"

Oct-58

DORIVAL CAYMMI & ARY BARROSO - ARY CAYMMI & DORIVAL BARROSO MOFB 3038

12"

Oct-59

DORIVAL CAYMMI - CAYMMI E SEU VIOLAO

78 RPM

Feb-60

DORIVAL CAYMMI - SAO SALVADOR/EU NAO TENHO ONDE MORAR - Odeon 14.583

78 RPM

May-60

DORIVAL CAYMMI e Nana Caymmi - 78 rpm - Odeon 14.616

12"

Oct-60

DORIVAL CAYMMI - EU NAO TENHO ONDE MORAR

12"

Oct-62

Recordando Carlinhos Guinle FT DORIVAL CAYMMI VA

12"

Oct-64

DORIVAL CAYMMI - CAYMMI VISITA TOM - ELENCO ME 17

12"

Oct-65

DORIVAL CAYMMI - Caymmi (KAI-EE-ME) and The Girls From Bahia

12"

Oct-67

DORIVAL CAYMMI - MOFB 364

12"

Oct-67

DORIVAL CAYMMI & VINICIUS DE MORAES - VINICIUS / CAYMMI - NO ZUM ZUM - SERIE ELENCO

12"

Oct-69

DORIVAL CAYMMI - Encontro com Dorival Caymmi

12"

Oct-69

DORIVAL CAYMMI - DORIVAL CAYMMI - Imperial - 30.151

12"

Oct-72

DORIVAL CAYMMI - CAYMMI 1972 - Odeon - SMOAB 6007

12"

Oct-73

DORIVAL CAYMMI - CAYMMI TAMBEM E DO RANCHO

12"

Oct-74

DORIVAL CAYMMI & ARY BARROSO - ARY CAYMMI & DORIVAL BARROSO EVENTO

12"

Oct-74

DORIVAL CAYMMI - O MAR - ISRAEL, 1974

CD

Oct-75

ESCRAVA ISAURA

VARIOS, INCLUINDO CAYMMI

12"

Oct-75

TENDA DOS MILAGRES

VARIOS, INCLUINDO CAYMMI

12"

Oct-75

GABRIELA - TSO

VARIOS, INCLUINDO CAYMMI

7"

Oct-76

DORIVAL CAYMMI - Dorival é Nacional

10"

Oct-76

DORIVAL CAYMMI - MUSICA POPULAR BRASILEIRA VOL 2

12"

Oct-77

SITIO DO PICAPAU AMARELO - CAYMMI VA

VARIOS, INCLUINDO CAYMMI

12"

Oct-80

SHOW 1.o DE MAIO com DORIVAL CAYMMI JOAO DO VALE MILTON NASCIMENTO

12"

Oct-80

DORIVAL CAYMMI - SAUDADES DA BAHIA

10"

Oct-82

DORIVAL CAYMMI - MUSICA POPULAR BRASILEIRA 1982

12"

Oct-82

DORIVAL CAYMMI - MUSICA POPULAR BRASILEIRA VOL 3

12"

Oct-83

CAYMMI JOBIM GNATALLI FRANCISCO MIGNONE PREMIO SHELL

12"

Oct-84

DORIVAL CAYMMI - CAYMMI 70 ANOS

CD

Oct-96

DORIVAL CAYMMI - CAYMMI INEDITO

12"

Oct-85

DORIVAL CAYMMI - SOM IMAGEM MAGIA

12"

Oct-86

NANA DORI E DANILO CAYMMI SPECIAL GUEST DORIVAL CAYMMI CAYMMIS GRANDES AMIGOS

12"

Oct-86

DORIVAL CAYMMI - CAYMMIS GRANDES AMIGOS - NANA DORI E DANILO CAYMMI / PARTICIPACAO DE DORIVAL

12"

Oct-87

DORIVAL CAYMMI - FAMILIA CAYMMI - DORI NANA DANILO E DORIVAL CAYMMI

CD

Oct-87

TOM JOBIM - INEDITO

12"

Oct-90

DORIVAL CAYMMI - SERIE GRANDES COMPOSITORES

12"

Oct-92

DORIVAL CAYMMI - FAMILIA CAYMMI - EM MONTREUX

CD

Oct-93

Dorival Caymmi vol 3. CD CDDC3

CD

Oct-93

Dorival Caymmi vol 2. CD CDDC2

CD

Oct-93

Dorival Caymmi vol 4. CD CDDC4

CD

Oct-93

Dorival Caymmi vol 1. CD CDDC1

CD

Oct-94

DORIVAL CAYMMI - CAYMMI IN BAHIA

CD

Oct-94

DORIVAL CAYMMI - CAYMMI EM FAMILIA

12"

Oct-94

TOM JOBIM - ANTONIO BRASILEIRO part. Esp. CAYMMI

PARTICIPACAO ESPECIAL

CD

Oct-65

Elis Regina - No Fino da Bossa 1

PARTICIPACAO ESPECIAL

CD

Oct-99

ADRIANA CALCANHOTO - MARITMO

PARTICIPACAO ESPECIAL

CD

Oct-00

MÚSICA BRASILEIRA DESTE SÉCULO - DORIVAL CAYMMI

CD

Oct-01

DORIVAL CAYMMI - CAYMMI AMOR E MAR [BOX COM 7 CDS]